O que é a extinção de espécies?
O que é a extinção de espécies? É o desaparecimento total de um tipo de ser vivo.

O que é a extinção de espécies? É o desaparecimento completo de um tipo de ser vivo, de modo que nenhum indivíduo sobra na natureza. Quando isso acontece, a linhagem inteira deixa de existir, e não há como recuperá-la.
Espécies sempre surgiram e desapareceram ao longo da história da vida. A preocupação atual é com a velocidade.
Segundo o ICMBio, a perda de biodiversidade é uma das piores crises mundiais, com espécies e habitats diminuindo a uma taxa alarmante. Foi a Lista Vermelha de 2008, da IUCN, que mostrou essa tendência em escala global.
Explicado de forma simples
Imagine uma biblioteca em que alguns livros são queimados de uma vez. Cada livro perdido é uma informação que não existe mais. Uma espécie é parecida: cada uma guarda características, funções nos ecossistemas e um lugar na teia da vida.
Quando uma espécie desaparece, a teia perde um fio. Às vezes o efeito é pequeno. Outras vezes, ele se espalha por outras espécies.
O que a ciência chama de risco
Os cientistas não esperam uma espécie desaparecer para agir. Eles avaliam o risco de extinção, ou seja, estimam a probabilidade de que uma espécie desapareça. Segundo o ICMBio, esse é o passo inicial e o mais importante para planejar e priorizar ações de conservação.
Essas avaliações usam categorias definidas pela União Internacional para a Conservação da Natureza, a IUCN.
Três delas formam o grupo das espécies ameaçadas: vulnerável, em perigo e criticamente em perigo. Segundo o ICMBio, elas representam níveis crescentes de risco, em escalas de tempo cada vez menores.
Há ainda categorias para espécies que já desapareceram ou que estão perto de entrar na lista de risco.
O retrato brasileiro
Segundo o ICMBio, o Brasil tem uma biodiversidade imensa: cerca de 148 mil espécies de animais e mais de 42 mil de plantas, estimativas do livro de 2016.
Entre 2009 e 2014, o instituto avaliou o risco de extinção de todos os vertebrados com ocorrência no país, além de um grupo selecionado de invertebrados.
Foi um total de 12.254 espécies de animais. Desse conjunto, 1.173 estavam ameaçadas de extinção. Outras 10 foram consideradas extintas ou extintas no território brasileiro.
A maior parte, porém, não está em risco. Segundo o mesmo livro, mais de 72% das espécies foram classificadas como menos preocupantes. Os 9,7% restantes estão em algum nível de risco ou já desapareceram.
Entre os grupos ameaçados, há mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes. Há também 233 invertebrados terrestres e 29 invertebrados marinhos na lista.
Os peixes continentais, de água doce, lideram, com 311 espécies ameaçadas. Depois vêm as aves, com 234, os mamíferos, com 110, os répteis, com 80, e os anfíbios, com 41.
A meta internacional é um bom contexto para esses números. Segundo o ICMBio, a Convenção sobre Diversidade Biológica definiu para 2020 metas de redução das taxas de extinção no mundo.
Quais são as principais causas
Para as espécies terrestres, as ameaças mais comuns estão ligadas à perda e à degradação do habitat, ou à retirada direta de indivíduos da natureza.
Segundo o ICMBio, considerando o território nacional, a atividade agropecuária é a principal causa de impacto. A exceção é a Amazônia, onde o fator mais impactante é a geração e a transmissão de energia.
A expansão urbana aparece em segundo lugar nacionalmente, e é a segunda principal causa na Mata Atlântica e no Pampa. Ela afeta um número tão alto de espécies que pesa muito no total.
Na fauna marinha, a principal ameaça é a pesca desordenada, seja a espécie visada ou apanhada por acidente. Poluição, transporte marítimo e urbanização do litoral também pesam.
Um exemplo de espécie em perigo
O mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) é um primata classificado como em perigo no livro do ICMBio. Já a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) aparece como criticamente em perigo.
Esses exemplos mostram que a extinção não é um problema de uma espécie só. Ela reflete o estado dos ecossistemas onde elas vivem.
Proteger não é só colocar na lista
Ter o nome na lista não basta. Segundo o ICMBio, a lista oficial é uma decisão de governo com implicações legais, e serve de base para planos de ação e recuperação. Por isso, ela funciona como uma espécie de marco legal guarda-chuva, com proteção imediata para qualquer espécie listada.
A Constituição Federal atribui ao poder público a obrigação de proteger a fauna e a flora, vedadas práticas que provoquem a extinção de espécies. Até a publicação do livro de 2016, 545 espécies de fauna estavam contempladas em pelo menos um dos mais de 40 planos de ação em vigor.
Também há um vácuo de proteção. Segundo o livro, o Brasil tem cerca de 1,5 milhão de quilômetros quadrados de áreas protegidas, com 2.029 unidades de conservação, das quais 326 são geridas pelo ICMBio.
Mesmo assim, pelo menos 180 espécies ameaçadas não estavam protegidas por nenhuma unidade de conservação, e outras 155 não tinham informação sobre isso.
Segundo o livro, as unidades de conservação são o instrumento mais usado para proteger o habitat no país.
Mitos sobre a extinção
“Extinção só afeta animais grandes.” Mito. Entre os ameaçados do Brasil há centenas de invertebrados, somando terrestres, de água doce e marinhos.
“Espécie ameaçada já está extinta.” Mito. Ameaçada significa que o risco é alto, não que a espécie desapareceu. A categoria extinta é outra.
“Extinção é só um problema da espécie que desaparece.” Mito. Segundo o ICMBio, preservar espécies também significa manter a funcionalidade dos ecossistemas.
Perguntas frequentes
O que é a Lista Vermelha?
É a lista mantida pela IUCN que classifica espécies de acordo com o risco de extinção. No Brasil, o ICMBio aplica o mesmo método para elaborar a lista nacional. Segundo o instituto, o método é reconhecido por ser objetivo e replicável.
Antes de publicar, as avaliações passam por revisão por pares, com dois revisores cegos em cada artigo, na revista Biodiversidade Brasileira.
Quem decide quais espécies são ameaçadas no Brasil?
A avaliação é feita pelo ICMBio, com apoio de especialistas de universidades e centros de pesquisa. Segundo o instituto, ela deve ser contínua, em ciclos de cinco anos. A lista oficial é publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e tem efeito legal imediato para as espécies incluídas.
Resumindo
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Extinção é o desaparecimento total de uma espécie, sem chance de recuperação.
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Os cientistas avaliam o risco com categorias da IUCN, e vulnerável, em perigo e criticamente em perigo são as ameaçadas.
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O Brasil tinha 1.173 espécies de fauna ameaçadas no livro de 2016, e 10 consideradas extintas.
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As maiores ameaças são a perda de habitat, a agropecuária, a expansão urbana e, no mar, a pesca desordenada.
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Pelo menos 180 espécies ameaçadas não estavam em nenhuma unidade de conservação.
Veja também como se formam os planetas e o que é instinto animal, outros temas do mundo natural explicados de forma simples.
Fontes
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ICMBio, Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, Sumário Executivo (2016): https://ava.icmbio.gov.br/pluginfile.php/4592/mod_data/content/10395/dcom_sumario_executivo_livro_vermelho_da_fauna_brasileira_ameacada_de_extincao_2016.pdf
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ICMBio, Avaliação do Estado de Conservação da Fauna Brasileira e a Lista de Espécies Ameaçadas (Biodiversidade Brasileira, 2011): https://revistaeletronica.icmbio.gov.br/BioBR/article/download/92/76/338



