Como os golfinhos se comunicam?
Como os golfinhos se comunicam? Com assobios e cliques. Cada golfinho tem uma assinatura sonora própria, e outros assobios funcionam como alarme.

Como os golfinhos se comunicam? Principalmente com assobios e cliques. Segundo a pesquisadora Laela Sayigh, do Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI), eles usam esses sons para se manter em contato e se identificar uns aos outros.
Os golfinhos-nariz-de-garrafa estudados em Sarasota, na Flórida, são o caso mais conhecido. Lá, pesquisadores acompanham uma comunidade selvagem há décadas.
Explicado de forma simples
Pense em uma sala escura onde não é possível enxergar quem está ao lado. Para se achar, a pessoa diz o próprio nome.
Segundo Sayigh, os golfinhos vivem em um ambiente com pouca visibilidade, e seus assobios funcionam de forma parecida: é como anunciar “estou aqui” para alguém que não pode ver você.
Os cliques e os assobios
Segundo Sayigh, os golfinhos usam assobios e cliques para se comunicar com outros animais.
Segundo a WHOI, os golfinhos também emitem chirps, guinchos e trinados, chamados de assobios sem assinatura. A maior parte desses sons ainda é pouco compreendida.
A assinatura sonora
O achado mais conhecido é o assobio de assinatura. Segundo a WHOI, cada golfinho-nariz-de-garrafa tem um assobio único, que permite comunicar sua identidade, sua localização e, talvez, até como está se sentindo.
Segundo Sayigh, quando os pesquisadores isolam brevemente um golfinho selvagem durante avaliações de saúde, cerca de 85% dos assobios produzidos são assobios de assinatura. Esses assobios são reconhecíveis em gráficos chamados espectrogramas, que mostram a frequência ao longo do tempo.
Segundo Sayigh, os pesquisadores também confirmaram que os golfinhos selvagens usam essas assinaturas em situações tranquilas, e não apenas quando estão isolados.
Como os cientistas gravam os golfinhos
Segundo a WHOI, a equipe de Sarasota conhece o histórico de cerca de 170 golfinhos da comunidade. Segundo Sayigh, os animais passam por avaliações rápidas de saúde, nas quais os pesquisadores os seguram por pouco tempo.
Durante essas avaliações, a equipe prende hidrofones com ventosa diretamente no melão, a região da testa do animal, e registra os sons continuamente. Segundo Sayigh, o banco de dados reúne quase mil sessões de gravação de 324 golfinhos diferentes. A equipe registra continuamente e anota quem está sendo gravado em cada momento e o que está acontecendo.
O nome e a família
Segundo Sayigh, os assobios de assinatura têm uma função parecida com a de nomes humanos. Quando um golfinho quer chamar outro, ele pode imitar a assinatura da pessoa com quem quer falar.
A equipe também investiga se os golfinhos imitam assobios de outros que não estão presentes, o que poderia ser uma forma de falar sobre eles. Segundo Sayigh, ainda é preciso confirmar se essas semelhanças são mais do que coincidências.
Segundo Sayigh, nem todos os filhotes desenvolvem assinaturas parecidas com as das mães. Além disso, a assinatura, depois de formada, tende a ser bastante estável ao longo da vida, principalmente nas fêmeas.
Como as mães falam com os filhotes
Segundo Sayigh, as mães modificam seus assobios de assinatura quando se comunicam com os filhotes, aumentando a frequência máxima, ou seja, o tom. É algo semelhante ao que os humanos fazem com as crianças pequenas, quando usam uma voz mais aguda. Os pesquisadores chamam esse fenômeno de “motherese”.
Segundo Sayigh, os machos adultos costumam formar laços fortes com outro macho, e, em alguns casos, seus assobios passam a se parecer com o tempo.
Os assobios sem assinatura
Além dos assobios de assinatura, os golfinhos produzem outros assobios, chamados de assobios sem assinatura. Segundo Sayigh, durante muito tempo os pesquisadores acreditaram que esses sons eram aleatórios. Mas, ao reproduzir sons para os golfinhos por alto-falantes subaquáticos, a equipe ouviu vários animais diferentes produzindo tipos semelhantes de assobio.
Segundo a WHOI, a equipe já identificou 20 tipos de assobios compartilhados. Dois deles foram produzidos por pelo menos 25 indivíduos diferentes. O trabalho é financiado por uma doação de 350 mil dólares da Avatar Alliance Foundation.
Segundo a WHOI, os golfinhos da região também têm personalidades bem distintas. Alguns são bem falantes, outros não, e a quantidade de assobios depende da idade e da atividade do grupo.
O que alguns sons parecem significar
Segundo a WHOI, um dos assobios compartilhados provocou respostas de evitação nos golfinhos durante as reproduções, o que sugere uma função de alarme ou de aviso. Segundo Sayigh, quando esse som era reproduzido, os golfinhos tendiam a nadar para longe.
Outro tipo parece funcionar como uma pergunta, ou como uma expressão de surpresa. Ele aparece quando os animais ouvem algo inesperado ou desconhecido.
Segundo Sayigh, a equipe usa drones para filmar as respostas dos golfinhos aos sons reproduzidos. Ela ressalta que ainda há muito trabalho para entender a função de cada tipo de assobio.
Por que isso importa
Segundo a WHOI, entender a comunicação dos golfinhos ajuda a conhecer as interações desses animais com o ambiente costeiro, inclusive os impactos de fatores naturais e humanos, como o ruído dos navios.
A linguagem dos golfinhos é um mistério
Segundo a WHOI, ainda não se sabe como esses assobios funcionam. Os pesquisadores consideram a possibilidade de que alguns sons possam funcionar como palavras ou frases com significados específicos, mas essa hipótese ainda precisa ser testada.
Segundo Sayigh, a comunicação dos golfinhos é complexa e não tem respostas padronizadas. Um mesmo assobio pode gerar reações diferentes dependendo do grupo, da idade, do sexo e da atividade dos animais.
Mitos sobre a comunicação dos golfinhos
“Os golfinhos já têm uma linguagem igual à humana.” Mito. Segundo a WHOI, os pesquisadores ainda não sabem como os assobios funcionam, e a palavra “linguagem” depende da definição usada.
“Os golfinhos usam sons apenas para se localizar.” Mito. Segundo Sayigh, os golfinhos usam assobios e cliques para se comunicar com outros animais, e não apenas para se orientar.
“Um som sempre tem o mesmo significado para os golfinhos.” Mito. Segundo Sayigh, as respostas aos sons variam conforme o contexto social, e não existe um padrão único para cada assobio.
Perguntas frequentes
Os golfinhos reconhecem uns aos outros pela voz?
Segundo Sayigh, a equipe testou se os golfinhos usavam pistas de voz para se reconhecer, como fazemos com pessoas conhecidas, e concluiu que não. A identificação parece vir principalmente das assinaturas sonoras.
Os resultados valem para todos os golfinhos?
Os estudos citados foram feitos com a população de Sarasota, na Flórida. Segundo a WHOI e Sayigh, ainda são necessárias mais observações em outras populações, idades e contextos.
Resumindo
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Os golfinhos se comunicam principalmente com assobios e cliques.
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Cada golfinho-nariz-de-garrafa tem um assobio de assinatura, que funciona como um nome.
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Segundo a WHOI, há pelo menos 20 tipos de assobios compartilhados, e alguns parecem funcionar como alarme ou pergunta.
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Mães usam um tom mais agudo com os filhotes, em um efeito parecido com o “motherese” humano.
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A linguagem dos golfinhos ainda é um mistério, e a comunicação depende do contexto.
Veja também como os morcegos se orientam e como as abelhas se comunicam, outros exemplos de comunicação e orientação no mundo animal.
Fontes
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Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI), Oceanus, Whistle! Chirp! Squeak! What does it mean? (julho de 2025): https://www.whoi.edu/oceanus/feature/whistle-chirp-squeak-what-does-it-mean-dolphin/
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Laela Sayigh (WHOI), How dolphins communicate – new discoveries from a long-term study in Sarasota (The Conversation, republicado pela WLRN, março de 2026): https://www.wlrn.org/environment/2026-03-25/how-dolphins-communicate-new-discoveries-from-a-long-term-study-in-sarasota



