Como os morcegos se orientam?
Como os morcegos se orientam? Eles emitem sons ultrassônicos e interpretam os ecos, que mostram onde estão os obstáculos e as presas.

Como os morcegos se orientam no escuro? Eles emitem pulsos de som em frequências que o ouvido humano não percebe e interpretam os ecos que voltam dos objetos ao redor. Esse sistema é chamado de ecolocalização, ou sonar biológico.
Pesquisas recentes ajudam a entender como os morcegos lidam com essa tarefa, que é mais complexa do que parece.
Explicado de forma simples
Pense em alguém batendo palmas numa sala grande e ouvindo o eco voltar das paredes. Pela demora e pela intensidade do eco, a pessoa sabe a que distância estão as paredes e se há algo no caminho.
O morcego faz algo parecido, só que com sons muito agudos e em um ritmo muito mais rápido, enquanto voa.
O que é a ecolocalização
Segundo a Universidade de Bristol, algumas espécies de morcegos caçam à noite usando ecolocalização.
Eles emitem um som e escutam os ecos que voltam ao bater em objetos próximos. Esses ecos informam o tamanho e o formato de um inseto e também o sentido em que ele se move. Assim, o morcego consegue localizar sua presa no escuro.
Segundo o mesmo comunicado, o sistema surgiu há cerca de 65 milhões de anos.
O problema: muitos ecos ao mesmo tempo
Uma única chamada pode retornar ecos de vários objetos, em direções e distâncias diferentes. Segundo a Universidade de Bristol, analisar cada eco individualmente se torna difícil demais, principalmente em habitats complexos, como florestas.
Por isso, os morcegos precisam de estratégias alternativas para navegar. A pesquisa de Bristol sugere uma delas: o fluxo acústico.
O fluxo acústico
Segundo a Universidade de Bristol, quando o morcego voa e emite as chamadas, os ecos voltam em ritmos ligeiramente diferentes, dependendo da proximidade dos objetos e da velocidade do próprio animal. Isso cria uma espécie de “fluxo de som”.
O professor Marc Holderied, da mesma universidade, compara esse efeito ao de uma paisagem que parece passar mais depressa ao olhar de uma pessoa que pedala mais rápido. Ao perceber essas mudanças no fluxo, o morcego consegue mapear o entorno e estimar a própria velocidade.
O experimento com o acelerador de morcegos
O estudo foi publicado na Proceedings of the Royal Society B com o título “Acoustic flow velocity manipulations affect the flight velocity of free-ranging Pipistrelle bats”, ou seja, a velocidade de voo de morcegos pipistrelos em liberdade foi afetada por manipulações do fluxo acústico.
A equipe chamou o equipamento de “acelerador de morcegos”, uma referência ao seu corredor de “sebes giratórias”.
Para testar essa ideia, a equipe construiu um corredor de cerca de oito metros com painéis giratórios, parecidos com cercas vivas. Os painéis tinham 8 mil refletores acústicos, que funcionavam como folhas artificiais e imitavam o eco de uma sebe coberta de folhas de verdade.
Segundo o comunicado, a espécie escolhida foi o pipistrelo comum, e foram registradas 181 trajetórias de morcegos-pipistrelo ao longo de três noites. Dessas, 104 passaram pelo corredor inteiro e foram analisadas.
Os dados vieram de morcegos em voo livre, e não de animais presos em laboratório. Segundo a universidade, o estudo foi publicado com acesso aberto.
O que os morcegos fizeram
Segundo a Universidade de Bristol, quando os painéis se moviam contra a direção de voo, aumentando o fluxo acústico, os morcegos reduziam a velocidade, em até 28% da redução induzida.
Quando os painéis se moviam no mesmo sentido do voo, os morcegos aceleravam. Segundo a equipe, a velocidade de voo dos animais respondeu às mudanças no fluxo acústico, e não a outros fatores do experimento.
Esses ajustes indicam que os morcegos são sensíveis às mudanças no efeito Doppler, uma variação na frequência do som causada pelo movimento. Segundo a equipe, eles podem usar esse mecanismo para controlar a velocidade e, possivelmente, para navegar.
Segundo os autores, a descoberta pode inspirar métodos de navegação para drones e veículos autônomos, que poderiam atravessar ambientes complexos com mais eficiência. Esse é um possível desdobramento, e não um resultado já aplicado. A descoberta ainda precisa ser confirmada por novos estudos.
O que ainda não se sabe
Segundo o pesquisador Shane Windsor, da Universidade de Bristol, o experimento sugere que os morcegos ecolocalizadores usam o fluxo acústico para controlar a velocidade e fornece evidências de que eles podem usar esse mecanismo também para navegar.
A palavra “evidências” é importante: o estudo aponta uma hipótese forte, mas não prova todos os detalhes do processo.
Ainda não se sabe, por exemplo, se o mesmo mecanismo funciona da mesma forma em todas as espécies de morcegos ou em outros ambientes além do corredor montado pela equipe.
Menos informação, mesma orientação
Outra pesquisa, da Universidade de Cincinnati, estudou os ecos de morcegos-de-cauda-livre mexicanos. Segundo a universidade, os ecos que chegam aos morcegos são tão simples que um arquivo de som das chamadas pode ser comprimido em 90% sem perder muita informação.
Segundo a universidade, uma rede neural conseguiu extrair informações importantes dos ecos mesmo quando as chamadas foram comprimidas digitalmente em 90%.
O estudo, publicado na PLOS Computational Biology, indica que a evolução favoreceu uma comunicação de navegação redundante, que ajuda o animal a se manter orientado em um espaço tridimensional complexo.
Segundo o pesquisador Dieter Vanderelst, tomar decisões com pouca informação simplifica o processo e dispensa um sistema nervoso muito complexo para processar e guardar esses dados.
Mitos sobre os morcegos
“Morcegos analisam cada eco separadamente.” Mito. Segundo a Universidade de Bristol, essa análise seria difícil demais em ambientes complexos, por isso os morcegos usam estratégias como o fluxo acústico.
“Para se orientar, o morcego precisa de um sinal muito detalhado.” Mito. Segundo a Universidade de Cincinnati, as chamadas podem ser comprimidas em 90% sem perder grande parte da informação útil.
“A ecolocalização é só para encontrar obstáculos.” Mito parcial. Segundo a Universidade de Bristol, a ecolocalização também ajuda a controlar a velocidade e, possivelmente, a navegação.
Perguntas frequentes
O que é o fluxo acústico?
Segundo a Universidade de Bristol, é a variação do ritmo com que os ecos retornam, que depende da proximidade dos objetos e da velocidade de voo do morcego. O morcego percebe essas mudanças para controlar sua velocidade.
Os resultados valem para todos os morcegos?
Os estudos citados foram feitos com espécies específicas, como o pipistrelo e o morcego-de-cauda-livre mexicano. Segundo as universidades, ainda são necessários mais estudos para generalizar os resultados.
Resumindo
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Morcegos emitem sons ultrassônicos e interpretam os ecos para se orientar.
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Analisar cada eco separadamente seria difícil em ambientes complexos.
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Segundo a Universidade de Bristol, os morcegos usam o fluxo acústico, a variação do ritmo dos ecos, para controlar a velocidade.
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Segundo a Universidade de Cincinnati, os ecos carregam informações redundantes, e as chamadas podem ser comprimidas sem perder grande parte da informação útil.
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Os resultados são promissores, mas dependem de estudos com espécies específicas e precisam ser confirmados.
Veja também como as formigas encontram comida e como as abelhas se comunicam, outros exemplos de orientação e comunicação no mundo animal.
Fontes
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University of Bristol, Discovery of bats’ remarkable navigation strategy revealed in new study (21 de janeiro de 2026): https://www.bristol.ac.uk/news/2026/january/discovery-of-bats-remarkable-navigation-strategy.html
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University of Cincinnati, Bat calls contain redundant information (2021): https://uc.edu/news/articles/2021/07/science-daily—bat-calls-contain-redundant-information.html



