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Como os peixes respiram?

Descubra como os peixes respiram debaixo da água, o papel das brânquias, o fluxo contracorrente e por que eles não conseguem retirar oxigênio do ar comum.

Peixe nadando em recife ilustrando como os peixes respiram debaixo da água.
Imagem: Rodrigo Pederzini / Pexels (Licença Pexels)

Saber como os peixes respiram revela uma adaptação aquática extraordinária: a maioria das espécies absorve o oxigênio dissolvido na água usando as brânquias, órgãos ricamente vascularizados que realizam trocas gasosas vitais enquanto o animal nada ou bombeia o líquido pela boca.

O papel das brânquias: como os peixes respiram debaixo da água

O órgão central da respiração na maioria dos peixes são as brânquias, conhecidas popularmente como guelras. Elas ficam localizadas nas laterais da cabeça, protegidas por uma placa rígida chamada opérculo nos peixes ósseos.

Diferente dos pulmões humanos, que se expandem para aspirar ar atmosférico, as brânquias dependem de água corrente contínua. Elas são formadas por arcos branquiais que sustentam milhares de filamentos vermelhos e delgados.

Cada filamento branquial se divide em estruturas microscópicas chamadas lamelas secundárias. Essas lamelas têm paredes extremamente finas e abrigam uma rede densa de capilares sanguíneos prontos para a troca gasosa.

Para iniciar o processo respiratório, a maioria das espécies usa um mecanismo de bombeamento bucal. O peixe abre a boca, expande a cavidade oral e aspira um volume controlado de água rica em oxigênio.

Em seguida, o animal fecha a boca e comprime a garganta, empurrando o líquido diretamente pelas fendas branquiais. Quando a água banha as lamelas, o oxigênio passa para o sangue, enquanto o gás carbônico é expelido.

Peixes que nadam velozmente, como atuns e certos tubarões, usam a ventilação por aríete. Eles precisam nadar sem parar de boca entreaberta para forçar o fluxo de água pelas brânquias sem gastar energia bombeando a mandíbula.

O fluxo contracorrente e como os peixes respiram com eficiência

A água retém uma fração pequena do oxigênio presente no ar atmosférico. Em média, um litro de ar contém cerca de duzentos e dez mililitros de oxigênio, enquanto um litro de água doce ou salgada carrega menos de dez mililitros.

Para extrair esse oxigênio escasso, o sistema respiratório dos peixes utiliza um princípio hidrodinâmico chamado troca por contracorrente. Esse arranjo posiciona o sangue nos capilares fluindo no sentido oposto ao movimento da água.

Se o sangue e a água corressem na mesma direção, a absorção pararia na metade do trajeto. O equilíbrio de concentração seria atingido rapidamente e o sangue absorveria no máximo metade do oxigênio disponível.

Com o sistema de contracorrente, o sangue encontra continuamente água com concentração de oxigênio mais alta que a sua. Isso mantém um gradiente favorável de difusão ao longo de toda a extensão da lamela.

Graças a esse mecanismo físico eficiente, as brânquias conseguem extrair até oitenta por cento do oxigênio dissolvido na água. Em contraste, os pulmões humanos captam apenas cerca de vinte e cinco por cento do oxigênio inspirado a cada respiração.

Por que os peixes morrem fora da água se o ar tem mais oxigênio?

Se o ar atmosférico contém muito mais oxigênio disponível, parece contraditório que os peixes sufoquem rapidamente fora da água. O motivo não é a falta de oxigênio gasoso, mas a mecânica estrutural das brânquias.

Na água, o empuxo hidrostático mantém as milhares de lamelas branquiais separadas e flutuando livremente. Isso garante uma imensa área de superfície aberta para as trocas gasosas com o meio externo.

Quando o peixe sai do ambiente aquático, a gravidade e a tensão superficial fazem os filamentos colapsarem. As lamelas colam umas nas outras como cerdas molhadas de um pincel fino exposto ao ar.

Com o colapso, a área de contato das brânquias com o ar diminui drasticamente. O oxigênio atmosférico não consegue penetrar nas camadas internas empacotadas do tecido branquial para alcançar o sangue.

Além disso, as brânquias precisam de umidade constante para permitir a difusão gasosa passiva. Ao ar livre, o tecido seca em poucos minutos, destruindo a barreira funcional e causando a morte do peixe por asfixia.

Casos especiais: peixes que respiram fora da água

Nem todos os peixes dependem unicamente das brânquias para sobreviver. Algumas espécies desenvolveram adaptações evolutivas notáveis para retirar oxigênio diretamente da atmosfera, sobrevivendo em poças rasas ou lamas com pouco gás dissolvido.

Um exemplo clássico é o peixe betta, comum em aquários domésticos. Essa espécie pertence ao grupo dos anabantídeos, que possuem um órgão acessório chamado labirinto, localizado na parte superior da cavidade branquial.

O órgão labirinto consiste em placas ósseas dobradas e vascularizadas que absorvem o oxigênio do ar engolido na superfície. Se o betta for impedido de subir para respirar ar atmosférico, ele pode se afogar.

Outro caso surpreendente envolve os peixes pulmonados, ou dipnoicos, como a piramboia encontrada na bacia amazônica. Esses peixes possuem uma ou duas estruturas semelhantes a pulmões verdadeiros conectadas ao esôfago.

Durante as secas severas, a piramboia se enterra no leito seco dos rios, reduz seu metabolismo e respira exclusivamente ar atmosférico por meses. Nesse período, suas brânquias atrofiadas quase não participam da respiração.

Há também peixes como o muçum e certas enguias que realizam respiração cutânea. Eles absorvem oxigênio diretamente através da pele mucosa e vascularizada enquanto rastejam pela vegetação úmida entre corpos d’água.

Oxigênio dissolvido e a qualidade do ambiente aquático

A eficiência respiratória dos peixes está diretamente ligada à quantidade de oxigênio presente na água. Variações térmicas, poluição orgânica e salinidade alteram profundamente a disponibilidade desse gás vital nos ecossistemas aquáticos.

A temperatura da água exerce forte impacto na solubilidade dos gases. Águas frias retêm volumes expressivos de oxigênio, enquanto águas mornas perdem esse gás com facilidade, exigindo ritmo respiratório acelerado dos peixes.

Em aquários fechados, aeração artificial e filtros mecânicos são essenciais para promover a troca gasosa na superfície. Sem a movimentação da água, o estoque de oxigênio dissolvido se esgota rapidamente pelos próprios animais.

Em rios e mares poluídos, a proliferação excessiva de algas e bactérias decompositoras consome todo o gás dissolvido. Esse fenômeno gera as chamadas zonas mortas aquáticas, provocando asfixia em massa de peixes nativos.

Resumindo

A maioria dos peixes retira o oxigênio vital da água por meio das brânquias, estruturas finas e altamente vascularizadas. O fluxo contracorrente garante que até oitenta por cento do gás dissolvido passe para a corrente sanguínea com extrema eficiência física. Fora da água, os filamentos branquiais colapsam sob a gravidade e secam, impedindo a absorção gasosa mesmo no ar atmosférico. Espécies adaptadas a ambientes rasos, como o betta e a piramboia, desenvolveram órgãos complementares como o labirinto e pulmões primitivos.

Fontes