Universo e espaço

O que é um cometa?

O que é um cometa? É um corpo de gelo, rocha e poeira que, ao se aproximar do Sol, ganha uma nuvem de gás e duas caudas. Entenda cada parte.

Cometa com uma cauda luminosa cruzando um céu estrelado à noite
Imagem: Landiva Weber / Pexels (Licença Pexels)

O que é um cometa? É um corpo de gelo, rocha e poeira que orbita o Sol. Quando se aproxima dele, o calor transforma parte do gelo em gás, e surgem a cabeleira e as caudas.

Os cometas são restos muito antigos do Sistema Solar. Por isso, o que eles guardam ajuda a entender como tudo começou.

Explicado de forma simples

Pense num cubo de gelo misturado com areia escura, largado num congelador. Enquanto está frio, ele quase não muda. Se você o levar para perto de uma lâmpada, a superfície começa a derreter e a soltar vapor.

É isso que acontece com um cometa. Longe do Sol, ele fica quase parado. Perto do Sol, o gelo vira gás e arrasta poeira com ele.

O núcleo: a parte sólida

O centro do cometa se chama núcleo, e é a única parte sólida. Segundo a Open University, ele é formado por proporções variadas de rocha, poeira, gelo e gás.

Por isso o nome “bola de neve suja” é popular, mas a comparação não é exata: a universidade observa que os cometas costumam ter mais material rochoso do que gelo.

A superfície do núcleo é quase toda escura. Ele costuma ter algumas dezenas de quilômetros de diâmetro, segundo a Open University.

Por ser escuro, o núcleo quase nunca é visto diretamente. Segundo a NASA, em cometas ativos as imagens dos telescópios revelam apenas a nuvem de gás e poeira ao redor.

Um exemplo conhecido é o cometa Halley. Segundo uma imagem da NASA publicada em 2000, a sonda europeia Giotto fotografou o núcleo do Halley em 1986, quando ele se aproximava do Sol. O núcleo tem formato de batata e mede cerca de 15 quilômetros.

Os voláteis: o gelo que vira gás

Os cometas têm muitos compostos voláteis, como dióxido de carbono, água e gases nobres. Eles passam do estado sólido para o gasoso com muita facilidade, num processo chamado sublimação.

Segundo a Open University, por guardarem esses compostos em baixas temperaturas, os cometas provavelmente se formaram muito longe do Sol, bem mais distantes que a maioria dos planetas e dos asteroides. Eles teriam permanecido em temperaturas baixas desde a formação.

Isso explica por que os materiais deles deveriam ser parecidos com os do início do Sistema Solar, o que faz dos cometas uma espécie de cápsula do tempo.

A cabeleira: uma nuvem ao redor

Segundo a Open University, o cometa se aquece cada vez mais à medida que se aproxima do Sol. Parte do gelo vira gás e libera poeira.

O gás predominante liberado do núcleo é o vapor de água. Esse material forma uma névoa em volta do núcleo, chamada de coma, ou cabeleira. A coma é iluminada pelo Sol, e por isso fica visível, especialmente quando se expande.

Na imagem da NASA de um cometa, a coma aparece como uma névoa azulada em volta do ponto brilhante do núcleo.

Segundo a Open University, é a coma que permite distinguir um cometa de um asteroide. Algumas comas já observadas são maiores que o próprio Sol.

As duas caudas

Os cometas têm duas caudas, e elas são diferentes. Segundo a Open University, a cauda de íons é formada pela sublimação e pela ionização do gás. Já a cauda de poeira é formada pela poeira liberada da superfície do núcleo.

A cauda de íons é azulada e aponta sempre para longe do Sol. Segundo a Open University, os raios ultravioleta do Sol ionizam algumas partículas que saem da coma, e isso produz um campo magnético.

O vento solar, um fluxo de partículas carregadas que vem do Sol, distorce esse campo, e a cauda de íons se estende para o lado oposto ao Sol.

Já a cauda de poeira ganha forma curva porque as partículas maiores ficam para trás ao longo da órbita do cometa.

Por que alguns cometas são tão brilhantes

O brilho vem do Sol. A coma e as caudas refletem e iluminam a luz solar, e é isso que as torna visíveis da Terra, segundo a Open University. Por isso, um cometa só fica bem visível quando está perto o bastante do Sol.

Um visitante que volta: o Halley

O cometa Halley é um dos mais conhecidos porque volta ao sistema interno a cada 76 anos, segundo a NASA.

A cada aproximação do Sol, o gelo do núcleo é vaporizado pelo calor, e o núcleo perde uma camada de cerca de 6 metros de profundidade, que se espalha pelo espaço.

Esse material forma as caudas do Halley e deixa uma trilha em órbita. É dessa trilha que vêm as Orionidas, uma chuva de meteoros.

Como o Halley mostra, um cometa vai perdendo material a cada passagem pelo Sol. O núcleo muda com o tempo, e não permanece igual para sempre.

A imagem da Giotto, sonda europeia que passou pelo Halley em 1986, mostra detalhes da superfície escura do núcleo contra o fundo brilhante da coma.

Segundo a NASA, essa imagem foi gerada a partir dos dados da câmera da sonda. O gelo vaporizado pelo calor do Sol também ajuda a revelar as características da superfície, que aparecem contra o fundo brilhante da coma.

Mitos sobre os cometas

“Cometas são bolas de gelo puro.” Mito. Eles têm mais rocha do que gelo, segundo a Open University. O nome “bola de neve suja” é uma simplificação.

“A cauda do cometa fica sempre atrás dele.” Mito. A cauda de íons aponta sempre para longe do Sol, e isso pode significar direções diferentes da trajetória do cometa.

“Cometas são planetas pequenos.” Mito. Os cometas são corpos formados por gelo, rocha e poeira, e são restos do início do Sistema Solar, não planetas em miniatura.

Perguntas frequentes

A cauda sempre aponta para trás do cometa?

Não necessariamente. Segundo a Open University, a cauda de íons aponta sempre para longe do Sol. A cauda de poeira segue outra trajetória, por isso pode aparecer curvada e em direção diferente.

Os cometas podem ser perigosos para a Terra?

As fontes consultadas não tratam do risco de impacto de cometas, por isso este texto não entra nesse ponto.

O que acontece com um cometa depois de passar pelo Sol?

Segundo a imagem da NASA sobre o Halley, a cada passagem o núcleo perde uma camada do próprio gelo e rocha, que se espalha pelo espaço. Esse material forma as caudas e uma trilha em órbita, que é responsável por chuvas de meteoros, como as Orionidas.

Resumindo

  • Um cometa é um corpo de gelo, rocha e poeira, com um núcleo sólido no centro.

  • Perto do Sol, o gelo vira gás e forma a coma, uma nuvem em volta do núcleo.

  • Há duas caudas: a de íons aponta sempre para longe do Sol; a de poeira é curva.

  • Os cometas guardam materiais antigos do Sistema Solar.

  • O núcleo do Halley tem cerca de 15 quilômetros e perde uma camada de gelo e rocha a cada passagem pelo Sol.

Veja também como se formam os planetas e por que a Lua tem fases, outros temas do universo explicados de forma simples.

Fontes

Fontes