Como se formam os terremotos?
Como se formam os terremotos? As placas da crosta se movem devagar, travam nas bordas e, quando a rocha rompe, a energia acumulada vira ondas.

Como se formam os terremotos? Eles acontecem quando rochas que estavam sob tensão se rompem de repente. A energia que se acumulou por muito tempo é liberada em segundos, na forma de ondas que sacodem o chão.
Por trás disso está o movimento lento da crosta terrestre. Entender essa cadeia de causas ajuda a responder também por que alguns lugares tremem muito mais que outros.
Explicado de forma simples
Pense numa régua de plástico que você dobra aos poucos. Ela entorta, guarda energia e, de repente, estala. Um terremoto segue a mesma lógica, só que com blocos de rocha do tamanho de regiões inteiras.
A diferença é a escala e o tempo. A dobra leva anos ou séculos, e a ruptura acontece em frações de segundo.
A crosta é feita de placas
A camada externa da Terra não é uma peça única. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), ela é formada por placas rígidas que se deslocam em direções diferentes, como se flutuassem sobre o manto, uma porção de consistência plástica.
Esse movimento é vagaroso: apenas alguns centímetros por ano. Mas as placas são massas enormes, e quando duas delas se encontram, começa uma compressão.
O acúmulo de tensão
Nas bordas, as placas travam. A tensão cresce até superar a resistência das rochas, e então ocorre uma ruptura, chamada de falha geológica. É nesse momento que o terremoto acontece.
Onde duas placas se afastam, também há tensão, mas do tipo oposto: as rochas são esticadas em vez de comprimidas.
Segundo o SGB, a quase totalidade da atividade sísmica do planeta ocorre nos limites entre placas. O Cinturão de Fogo do Pacífico, por exemplo, concentra 75% da energia liberada por terremotos. Ali, os tremores vêm acompanhados de vulcanismo.
Foco e epicentro
O ponto dentro da crosta onde a ruptura começa é chamado de hipocentro, ou foco. O ponto da superfície logo acima dele é o epicentro.
O epicentro é o que mais interessa às pessoas, porque corresponde a uma cidade ou um povoado. A energia, porém, começa no foco, e é de lá que as ondas se espalham.
As ondas que sacodem o chão
Todo terremoto gera ondas sísmicas que se propagam em todas as direções. Segundo o SGB, elas são de dois tipos principais.
As ondas primárias, ou ondas P, são longitudinais: vibram na mesma direção em que se propagam, e são as mais rápidas. As ondas secundárias, ou ondas S, são transversais: vibram perpendicularmente ao seu caminho e provocam deformações de cisalhamento, que sacodem o chão de um lado para o outro.
Há uma diferença útil na prática. As ondas P atravessam sólidos, líquidos e ar, e por isso o barulho de um terremoto costuma ser transmitido por elas. As ondas S só se propagam em meio sólido.
Quanto mais forte, mais raro
A força de um terremoto é medida por duas escalas diferentes. A magnitude mede o tamanho do evento na origem. A escala Richter, criada em 1935 por Charles Richter, é logarítmica: cada grau a mais significa vibrações dez vezes maiores e cerca de 30 vezes mais energia.
A Richter, porém, tem limitações. Segundo o USGS, ela não diferencia bem os maiores terremotos, por isso os sismólogos passaram a usar a escala de magnitude de momento, que é uma medida melhor para eles.
Já a intensidade mede o efeito num lugar específico. Ela usa a escala Mercalli Modificada, que vai de I a XII, em algarismos romanos. Segundo o USGS, o terreno pesa muito: locais sobre solo mole costumam ter intensidades de 2 a 3 graus acima dos que estão sobre rocha firme.
Por isso, um mesmo terremoto pode ser sentido de forma muito diferente em duas cidades.
Prever, não prever
Uma das perguntas mais comuns é se os terremotos podem ser previstos. Segundo o USGS, não. Nem a instituição nem outros cientistas jamais previram um grande terremoto, e não há expectativa de que isso aconteça no futuro previsível.
O que se faz é calcular a probabilidade de um terremoto significativo ocorrer numa área, em certo número de anos. Essas probabilidades aparecem nos mapas de perigo sísmico, e servem para planejar construções e medidas de segurança.
O USGS também explica que uma previsão precisa definir três elementos: data e hora, local e magnitude. Previsões populares costumam falhar nesse ponto, por serem vagas demais.
O Brasil também treme
O Brasil fica no interior da Placa Sul-Americana, longe das bordas onde os terremotos fortes são mais comuns. Por isso, o país não está livre de tremores: o SGB informa que ocorrem, em média, 20 sismos de magnitude acima de 3,0 por ano, e dois acima de 4,0.
Terremotos acima de 7,0 devem ocorrer no Brasil uma vez a cada 500 anos, segundo o SGB. No Chile, esse tipo de evento acontece a cada 3 anos.
Um caso marcante aconteceu em Itacarambi, no norte de Minas Gerais, em 2007. Um tremor de 4,9 na escala Richter danificou as 75 construções do povoado de Caraíbas, destruiu seis delas e causou a primeira morte por terremoto registrada no país.
Terremotos provocados pelo ser humano
Alguns terremotos têm causa humana. Segundo o SGB, eles são chamados de sismos induzidos e podem ser causados por explosões nucleares, injeção de água ou gás sob pressão no subsolo, construção de barragens e extração de petróleo.
A principal causa com abalos de magnitude considerável é a construção de barragens, por causa do peso da água acumulada. No Brasil, o primeiro caso conhecido ocorreu na hidrelétrica de Capivari-Cachoeira, perto de Curitiba, entre 1971 e 1972.
Mitos sobre os terremotos
“A Escala Richter vai só até 9.” Mito. Segundo o SGB, a escala não tem limite superior nem inferior. Nunca se registrou um terremoto de magnitude 10, mas a escala poderia medi-lo.
“Terremoto de magnitude baixa não é terremoto.” Mito. O SGB explica que um tremor de baixa intensidade é chamado de abalo sísmico ou tremor de terra, mas a origem e a natureza são as mesmas, diferindo só a extensão da área que se rompeu.
“Dá para prever o próximo terremoto pelos sinais da natureza.” Mito. Segundo o USGS, sinais como enxames de tremores pequenos, mudanças na água ou comportamento de animais raramente são seguidos de um grande terremoto, e a maioria dos terremotos não tem nenhum sinal anterior.
Perguntas frequentes
Quantos terremotos acontecem por ano no Brasil?
Segundo o SGB, o Brasil registra em média 20 sismos de magnitude acima de 3,0 por ano. Os de magnitude acima de 4,0 são cerca de dois por ano.
Resumindo
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Terremotos acontecem quando rochas sob tensão se rompem de repente numa falha.
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As placas se movem poucos centímetros por ano, travam nas bordas e acumulam energia.
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O foco é o ponto da ruptura; o epicentro é o ponto da superfície logo acima.
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As ondas P são mais rápidas e atravessam líquidos; as ondas S sacodem o chão e só andam em sólidos.
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Não é possível prever um terremoto, mas é possível calcular a probabilidade de que ele aconteça.
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O Brasil tem tremores frequentes, mas raramente fortes.
Veja também como se formam os planetas e como funciona um raio, outros fenômenos da natureza explicados de forma simples.
Fontes
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Serviço Geológico do Brasil (SGB), Terremotos: https://www.sgb.gov.br/terremotos
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USGS, What Do Earthquake Magnitude and Intensity Mean?: https://pubs.usgs.gov/gip/earthq3/magnitude.html
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USGS, Can you predict earthquakes?: https://www.usgs.gov/faqs/can-you-predict-earthquakes



